Viva Glauber Rocha

Viva Glauber Rocha

Hoje, 14 de março de 2019, Glauber Rocha faria 80 anos. O conquistense é considerado um dos maiores diretores da história do cinema brasileiro, com obras que redefiniram a forma de se fazer cinema no país. Além disso, é um dos talentos tupiniquins mais premiados e respeitados internacionalmente. Conheça aqui a história e a contribuição do cineasta para a cultura e arte brasileira.

 

Filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e Lúcia Mendes de Andrade Rocha, Glauber Andrade Rocha nasceu na cidade de Vitória da Conquista em 14 de março de 1939, sendo o único homem dos quatro filhos do casal. Alfabetizado pela mãe, mudou-se com a família para Salvador em 1947. Na capital baiana ele fez parte de teatro, cinema amador, programas de rádio e do movimento estudantil contra a opressão e censura do regime militar. Iniciou sua vida acadêmica na Faculdade de Direito da Bahia (atual UFBA – Universidade Federal da Bahia), entretanto, abandonou o curso e seguiu a carreira de crítico de cinema no “Jornal do Brasil” e no “Diário de Notícias”. Casou-se com Helena Ignez em 1960, colega e atriz de sua primeira obra, “O Pátio”, com quem teve sua primeira filha, Paloma. Contudo, o casamento durou apenas um ano. Durante o Regime Militar, Glauber foi visto como subversivo pelas autoridades militares, se exilando em Portugal no ano de 1971 e voltando ao Brasil apenas em 1982, quando, no dia 22 de agosto desse ano, aos 42 anos, morreu no Rio de Janeiro, acometido pela septicemia.

 

“Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”, frase que, apesar de não ser original do cineasta, era muito repetida pelo mesmo.

 

O seu primeiro contato com a arte cinematográfica foi na produção dos documentários “O Pátio” e “Cruz na Praça”, em 1959 e 1960, respectivamente. Glauber voltaria a realizar outra produção em 1964, com o filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Sua filmografia em 46 anos de carreira abrange 21 produções, que incluem documentários, séries, filmes e curtas-metragens, muitos deles premiados no Brasil e internacionalmente. Suas películas mais conhecidas são: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967), “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1968) e “A Idade da Terra” (1980). “A Idade da Terra” foi a última filmagem da sua vida. É muito importante relembrar que Glauber foi um dos principais expoentes do Cinema Novo, vanguarda brasileira que surgiu na segunda metade do século XX e que almejava afastar as produções do país do molde hollywoodiano, buscando uma estética mais realista do Brasil, prioritariamente no que tange ao sertão e suas mazelas religiosas, políticas e sociais.

 

Como reconhecimento de sua relevância para Conquista, o Brasil e o cinema como um todo, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) seccional da Bahia e a subseção de Vitória da Conquista, vêm lutando desde 2016 para que a casa de Glauber Rocha seja tombada como patrimônio histórico, artístico e cultural. O movimento tem o apoio de muitas personalidades e figuras públicas da região e do país, e já foi atendido pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em maio de 2017, estando atualmente já em andamento.

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